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segunda-feira, 2 de junho de 2014

Sexo oral


Primeiro a tua língua molha o meu
coração, num vagar de fera. Estendo
aurículas e ventrículos sobre a mesa, entre
os copos que desaparecem. Não há mais
ninguém no bar cheio de gente. Abres-me agora os
pulmões, um para cada lado, e sopras. Respiras-
-me. O laser das tuas palavras rasga-me o lobo
frontal do cérebro. A tua boca abre-se e fecha-se,
fecha-se e abre-se, avançando
por dentro da minha cabeça. As minhas cidades
ruem como rios, correndo para o fundo dos teus olhos.
O tempo estilhaça-se no fogo
preso das nossas retinas. O empregado do bar
retira da mesa o nosso passado e arruma-o na vitrina,
ao lado dos exércitos de chumbo.
Entramos um no outro,
abrindo e fechando as pernas
das palavras, estremecendo no suor dos
olhos abraçados, fazendo sexo
com a lava incandescente dessa revolução
imprevista a que damos o nome de amor.
***
(Inês Pedrosa)

4 comentários:

  1. olá. vou @r esta "pouca vergonha" :)

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  2. Encantada com seus versos
    desejo
    Linda nova semana.
    Bjins
    CatiahoAlc/ReflexodAlma

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  3. Obrigada, Reflexo d'Alma.
    Ainda bem que gosta pois é com essa intenção que mantenho este Jardim. A de divulgar e partilhar poemas que considero lindos.

    Obrigada e uma boa semana também para si.
    Beijinhos.

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  4. Olá, José Luís :)

    Esta é uma "pouca vergonha" muito linda!
    Acredite que é um dos poemas que mais gosto entre os muitos que já aqui tenho.

    Obrigada pela sua visita.

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