
Eu que tinha tudo hoje estou mudo, estou mudado
Eu queria tanto estar no escuro do meu quarto
Não estou bem certo se ainda vou sorrir
Eu que tinha tudo hoje estou mudo, estou mudado
Eu queria tanto estar no escuro do meu quarto
A beleza das flores de mãos dadas com a poesia. A fragilidade das suas pétalas em harmonia com a força das palavras.


Foi a saudade que apertou demais meu coração...
Se sentires uma presença em teu quarto não te alardes
Sou eu que venho implorar teu amor
É o desejo que sinto por ti...
Se um dia tocarem teu corpo não te assustes
Sou eu, venho conferir o amor que me juras
Não que não acredite em tuas palavras
Mas meu corpo necessita sentir teu calor...
Se chegar sem muito falar, olhe bem em meus olhos
Escute o que eles têm para te falar
Não te surpreendas com o que ouvires deles
Será a verdade guardada em meu peito que eles te dirão...
Se eu nada disser, não fiques preocupada, relaxa
Apenas me abras teus braços e digas que me amas
Não quero ouvir mais nada...
Quero apenas sentir teu ritmo em contacto com meu corpo!
Se invadir tua intimidade não te preocupes com teus segredos
Estarão todos guardados dentro de mim
E de lá jamais sairão...
Mas não me negues teu carinho e teu amor
Chegarei como um mendigo faminto!
Saberás o que desejo com apenas um olhar
Mata minha fome e a sede que tenho de ti!
Não ficarei muito tempo, não quero roubar-te o sossego
Ficarei o suficiente para marcar teu coração
Para matar minha vontade de ti
E para matar tua sede de mim...
Assim como entrei, sairei de tua vida
Mas nunca mais seremos os mesmos...
Sentiremos na alma que a felicidade é real
Apenas ainda não podemos alcançá-lá.
Levarei o gosto de tua boca
O sal de teu suor em contato com minha língua
Levarei além de tua doce lembrança
A certeza de que não somos apenas um caso
Somos duas almas a caminho da perfeição
(Eduardo Baqueiro)

I 
Não sei onde me levam os caminhos



Toda a palavra tem um sentir próprio.
Entardecer.
Sentimento morno num tempo ausente que o meu peito toma,
redenção, expiação com termo certo, troça?
Mas meu peito flui, vai e vem, respiro, interrogo-me.
Jazem certezas na calçada, perdidas, como os passos.
A que caminho tardio me levam estes passos
- às vezes lar de sonho tornado de viagem -
senão à inquietação destas noites,
passo por passo repisada em meu peito?
Quem é esta Lua, estupenda fêmea intrometida
entre mim e o Rei que faz o dia,
senão a circunstância da noite?
Circunstancial eu,
julgo rasgar a sangue e fogo os muros do tempo,
desvelado leito minhas mãos súplicas do sonho fresco
que, de quando em vez, alenta minha lassidão....mas não!!!
No canto de um pássaro chega a claridade da manhã.
- cegam-me ainda as luas da tua pele nua -
É ela, apenas ela, que alivia esta agonia cega
em peito nocturno, sem circunstância.
Será fé este halo que sobe do rio até mim?
Toda a palavra tem um sentir. Me. Te. Nos.
Transcendental.
Este meu julgar-me nesta luz
de contas acertadas com a entrega.
***
(Paula Paiva)
















Amo-te como a planta que não floriu 




Há um tempo em que é preciso
abandonar as roupas usadas,
que já têm a forma do nosso corpo,
e esquecer os nossos caminhos,
que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia:
e, se não ousarmos fazê-la,
teremos ficado, para sempre,
à margem de nós mesmos.
(Fernando Teixeira de Andrade)