segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Quero Ser O Teu Amigo

Quero ser o teu amigo.
Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo,
de acertar nossas distâncias...
***
(Fernando Pessoa)

6 comentários:

josé luís borges de almeida disse...

é tão difícil aprender a ser um amigo aprendiz...
mas tão fácil gostar deste grande poema.

parabéns pelo seu blog.

Cristiana disse...

Concordo plenamente consigo, José Luís.
Como "apaixonada" que sou por Fernando Pessoa torno-me suspeita quando se trata de falar dos seus poemas, mas sei que não exagero quando digo que ele foi único e fantástico na forma como transformava sentimentos em palavras.

Obrigada pela sua visita e volte mais vezes.

josé luís borges de almeida disse...

... e é isso que é extraordinário; nele a escrita transformava sentimentos em palavras, mas em nós a leitura transforma palavras em sentimentos - afinal a essência da poesia, não é?

Cristiana disse...

Sem sombra de dúvida que é, José Luís.
A verdadeira essência da poesia: quem a escreve transforma sentimentos em palavras e quem as lê transforma-as em sentimentos.
Gostei imenso da sua definição.
Parabéns... não sei se deu conta que, com ou sem essa intenção, também fez poesia com as suas palavras.

Obrigada. :-)

Anónimo disse...

legal

Cristiana disse...

Obrigada pelo comentário sucinto mas que diz tudo.
É "legal" com certeza, por isso o escolhi para publicar.