quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Lágrimas tristes tomarão vingança

Se somente hora alguma em vós piedade
De tão longo tormento se sentira,
Amor sofrera, mal que eu me partira
De vossos olhos, minha saudade.
*
Apartei-me de vós, mas a vontade,
Que por o natural na alma vos tira,
Me faz crer que esta ausência é de mentira;
Porém venho a provar que é de verdade.
*
Ir-me-ei, Senhora; e neste apartamento
Lágrimas tristes tomarão vingança
Nos olhos de quem fostes mantimento.
*
Desta arte darei vida a meu tormento,
Que, enfim, cá me achará minha lembrança
Sepultado no vosso esquecimento.
***
(Luís Vaz de Camões)

5 comentários:

josé luís disse...

pois também é caso para dizer que o nosso luís vaz poderia ter sido florista, se tantas lágrimas tivesse sido derramadas sobre rosas...


(na verdade, o luís vaz nunca precisou de escrever jgkldhtewak, soube sempre encontrar as palavras certas - e o que eu tenho é alguma inveja de não conseguir escrever assim...)

Fadinha disse...

Bem forte esse poema!

Lágrimas tristes escorreram no meu rosto, mas pensar em vingança não passou pela a minha cabeça.

Cristiana disse...

José Luís,
tem você e tenho eu, mas olhe, pelo menos podemos ter o enorme prazer de ler quem conseguia, como Camões e outros já desaparecidos e os que, felizmente, ainda estão entre nós e continuam a escrever.

Cristiana disse...

Fadinha,

obrigada pela visita :-)

Ainda bem que tal pensamento não surgiu. Dizem que vingança é um sentimento mesquinho e eu concordo que é.
Apesar de compreender momentos de raiva que podem levar-nos a querer algum tipo de vingança, o desejável é que sejam isolados e, mais que momentos, sejam momentâneos e passem rápido.

Júlio Furtado disse...

Concordo plenamente Cristiana.