sábado, 23 de agosto de 2008

Quando digo


Quando digo que te amo
Sou intemporal
Sou de agora, de ontem,
De amanhã
Sou de sempre e tu
De sempre me és

Quando digo que te amo
É como uma brisa quente
Excessivamente quente
Que vem do deserto
Excessivamente boa
Excessivamente forte...

Quando digo que te amo
Fogem-me as palavras
E falam-te
Pela voz que do íntimo
Me sorvem

Quando digo que te amo
É desde um outrora
Tão agora
Tão sempre
Tão presente

Quando digo que te amo
Abre-se o céu
Em uivos de Sol
E és tu
Em luz de cor sarça
Agora prateada e divina,
És tu que me
Rasgas os véus
E me arranhas o azul

Quando digo que te amo
Absorvo-te com todos os sentidos,
Na fome de ti,
Porque quando digo que te amo
É agora
E sei, agora, que agora
És.

E quando te digo que te amo...
...é tão pouco!
É tão excessivamente pouco, afinal,
O que te digo...
...quando te digo que te amo...
(Olga Fonseca)

2 comentários:

Anónimo disse...

É isto que traduz a simplicidade do amor...nada é preciso ser dito, nada é preciso ser escrito...apenas sentido...! As palavras translúcidas brotam do âmago, ecoando como a suavidade cristalina dos cânticos celestiais outrora sentidos pelo esvoaçar das borboletas no estômago...(Beyond)

Cris disse...

Depois venha dizer-me que não tem jeito para escrever...
Obrigada pela visita e pelo comentário. Enriqueceu o post :-)