quarta-feira, 13 de abril de 2011

O beijo


Congresso de gaivotas neste céu

Como uma tampa azul cobrindo o Tejo.

Querela de aves, pios, escarcéu.

Ainda palpitante voa um beijo.

*

Donde teria vindo! (Não é meu...)

De algum quarto perdido no desejo?

De algum jovem amor que recebeu

Mandado de captura ou de despejo?

*

É uma ave estranha: colorida,

Vai batendo como a própria vida,

Um coração vermelho pelo ar.

*

E é a força sem fim de duas bocas,

De duas bocas que se juntam, loucas!

De inveja as gaivotas a gritar...

***

(Alexandre O'Neill)

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