sábado, 17 de maio de 2008

Romance


Olha o mundo.
E faz perguntas, como se nascesses agora.
Sobre o que vês, sobre o que é a luz e a realidade.
E a subtil diferença
Entre o superficial e o profundo.
E então, se quiseres mesmo,
Talvez consigas entender o que sinto na tua presença.
E consigas perceber o que é renascer a cada momento,
E ter uma luz diferente cada dia.
E saber que o que sou é porque és,
E que sem isso nada mais é que deserto.
E que se te pareço a ti incerto,
A incerteza é tua
Porque para mim não há
Juras e promessas além de ti,
E leis além do que me dizes e olhas.
E quero, isso quero,
Quero-te amar não ao ponto de dar a minha vida por ti,
Mas ao ponto de dar a minha vida contigo.
Quero amar-te não ao ponto de dar a minha vida por nós,
Mas sermos nós a minha vida.
E quero amar-te para além do significado das palavras
E para além do significado do amor,
Mas nunca para além do teu significado.
E se não quiseres,
Não precisas de querer.
O amor não se quer, cria ou transforma.
Existe, em mim, por ti até morrer,
E se não existe em ti, nada a fazer, pois não se forma.
(Pedro Leitão)

1 comentário:

Pedro Leitão disse...

Só para te dar os parabéns por um blog que considero de muito bom gosto em termos de escolha poética e também pelo facto de dares sempre os devidos créditos aos autores de todos os poemas (algo cada vez mais raro hoje em dia, em que muita gente pensa que é só pegar no que se quer e reproduzi-lo de qualquer maneira).

Continua o bom trabalho :)