domingo, 8 de novembro de 2009

A última lágrima


A chama arde.
O coração bate.
A cera escorre.
A lágrima desce.
O calor morre,
E a vida de esperança carece.
A cera evapora.
O suspiro vai embora.
Outra alma padece,
E para o além ela corre.
O calor se expande,
Esquenta a face,
Molhada diante
Da mais dura perda.
E a vela se esvai.
A última lágrima cai.
Todos os seus sentimentos,
Todos os seus pensamentos,
Tudo se mistura,
Num momento de tortura
Que explode e perdura.
Os olhos reluzem.
Os gestos traduzem
Os segredos de um amor
Convertido em dor.
E o choro irrompe,
Gritos surdos de sofrimento.
E uma voz interrompe
A solidão do momento.
Um suspiro repentino,
Como se toda a vida se esvaísse.
Um sussurro inaudível,
Mas que revelaria para quem o ouvisse
O amor escondido,
Não correspondido.
E a dor se torna terrível,
Impossível.
E a última cera escorre,
E a última lágrima desce,
E o último sangue jorra,
E tudo que era vivo morre,
E tudo que era feliz entristece,
E todo o fogo vai embora,
E só há escuridão.
Afoga-se em sua própria solidão,
Fica apenas a memória
Da tortura e da decepção
Causadas por um amor mútuo,
Não correspondido
Por ambos os lados.
Viveu escondido
E morre enterrado
Na mais profunda escuridão.
***
(Jannerson Xavier)

4 comentários:

Fadinha disse...

Caraca bom massa esse poema!!!

Cristiana disse...

rsrs

O seu comentário, que agradeço, fez-me rir porque acho mesmo piada a algumas das vossas expressões.
Ainda bem que gostou.
:-)

Fadinha disse...

Desculpe pela expressão aborrecente! rs

Bom quero dizer que o que você coloca no seu blog eu gosto bastante.

Continue assim esta a cada dia ficando melhor.

Beijinhos da Fadinha!

Cristiana disse...

Ora, não tem porque pedir desculpa, eu até gosto e acho piada às suas expressões (e aprendo também...rs).

Obrigada pelas visitas e pelas palavras simpáticas.
Fico contente que não dê o seu tempo por perdido quando vem ler as novidades. :-)

Um beijinho para si também.